sábado, 12 de fevereiro de 2011

CAPÍTULO VI GRATIDÃO – NATALINHA

- Que suspiro tão profundo é esse? – Alessandra perguntou.
- Ah, Lessa... – às vezes eu a chamo assim. – Tava lendo o testemunho daquela menina Flávia, a Carla também tá no blog, falando do Gabriel e deu uma emoção.
- Jesus dá umas emoções diferentes mesmo.
- Li também o início. Meu pai teve um errinho.
- É?
- Olha aqui: ele disse que eu tô com 21 e a Cris com 15. Ela já fez 16 e eu já tô com 22.
- É que ele postou sem revisar tudo, meio na pressa. Começou a escrever antes. Mas isto é só detalhe, mesmo. O blog já tá com 62 seguidores...
- Quando ele escreveu tava com 56.
- O que importa é a qualidade. Menos da metade postou, mas os que acompanham desde o início e os que começaram a ler depois postando os comentários dão o retorno que a gente espera.
- É mesmo. Eu li outras passagens. A Carla contando sobre o neném que perdeu, depois, quando reencontrou o Marcos. Pessoas que também perderam filhos se identificaram, mas sei que também foram renovadas pelo amor de Deus. Carla é um exemplo disto. O capítulo em que ela conta sua conversão é show!!! É lindo ver como as pessoas são gratas a Deus. Até me inspirei e deixei um comentário aqui:
Alessandra leu:
GRATIDÃO
Em primeiro lugar agradeço a Deus, meu Pai maior, depois ao meu paizão Allan, um surfista de Deus, sem esquecer a minha boadrasta “Lessa” e minha doce irmãzinha Cris, sintetizando através da passagem: Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome. (Salmos 100: 4). Vocês que são testemunho vivo disto. Também agradeço à Brenda, pastora, professora e permanente discípula de Cristo, através do seu testemunho de amizade incansável, um esteio, um porto seguro sempre firme num espírito de equilíbrio e liderança e sempre disposta a acolher com seu amor ágape todos que a procuram. Isto não é fácil. A caminhada é longa, mas conduz à vitória. Obrigada também a você, Carlinha, pelo seu testemunho de mãe, pelo nosso Biel, que você e o Marcos disciplinam com tanto amor e pelo seu amor ao próximo, pela sua maneira simples de evangelizar e ganhar pessoas pra Jesus, como fez com a Flávia que renasceu jogando no mar do esquecimento seu passado. Não poderia haver melhor cenário pra expressar o que é a renovação de vida como esta paisagem de Floripa, onde tantos jovens competem e não perdem pra outros, mas ganham experiência de vida e têm mais histórias pra contar neste blog que é um arquivo de vida, como no LIVRO DA VIDA DO SENHOR. É o BLOG DA VIDA. Das VIDAS SEPARADAS pelo amor de Deus. OUVI-ME, ilhas, e escutai vós, povos de longe: O SENHOR me chamou desde o ventre, desde as entranhas de minha mãe fez menção do meu nome. (Isaías 49: 1). Os nomes de todos aqui são do Senhor, vidas do Senhor. É difícil expressar a emoção de ler aqui com palavras, por isto deixo que O Senhor fale por mim através da Sua Palavra: E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre. (Apocalipse 5: 13)
- Que lindo, Natalinha...- Alessandra abraçou-me e deu um beijo de mãe boadrasta em meu rosto. Uma lágrima de emoção rolou dos seus olhos.
- Muita gente chorou lendo o blog, né?
- É...eu revivo toda a emoção e os seguidores que são mais fiéis também relembram o que leram nesta nossa continuação.
- A vida continua com alegrias, tristezas, lutas, vitórias...
- Sem luta não há glória.
- E o mais importante é confiar neste Deus e sempre agradecer. “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. (Romanos 12: 2)
- Falando em gratidão, vamos lá pra fora dar uma olhada nos treinos?
- Vamo nessa, Lessa!
Fomos juntas e eu fiquei apreciando em particular uma treinadora que contemplava a imensidão do mar enquanto o pessoal fazia seus últimos treinos antes das eliminatórias bem próximas. Ela observava e abria os braços pro mar. Uma alegria contagiante emanava daquele rosto jovem e belo. Eu e a Lessa nos aproximamos devagar, tamanha era a comunhão daquela jovem com Deus, O exaltando por aquele elemento da natureza que Ele nos deu. Ela orava agradecendo:
- Obrigada Senhor, por este mar, por estas vidas, esses meninos e meninas que eu conheci e já amo tanto. Que eles entendam que nas eliminatórias não haverá vencedores nem perdedores, pois é o viver contigo que nos dá a vitória. “Porque a vitória é do povo de Deus!” – ela cantarolou - Eles terão outras chances assim como a que eu tive vindo aqui pra treiná-los. Obrigada Senhor pelo presente que ganhei e por outros que ganharei, pois só posso esperar pelo melhor aqui. Eu agradeço em nome de Jesus, amém.
Não resistimos e aplaudimos aquela oração.
- Glória a Deus!! – gritamos juntas.
- Ai! Vocês tavam aí há muito tempo? – ela perguntou um pouco assustada e rindo ao mesmo tempo
- Um pouquinho, mas não queríamos interromper o seu momento de comunhão com Deus. – Alessandra respondeu
- Lembra da minha enteada Natalinha?
- Tenho uma idéia de ter visto antes. – ela disse tentando lembrar.
- Natalinha, esta é a Beth, foi nossa cria e é nossa mais nova treinadora. Acho que não estão lembrando uma da outra porque no início do ano quando esteve aqui em lua de mel tava muito movimento, Beth tava treinando o pessoal sem parar, início de ano é duro, o treinamento é intensivo. Agora dá pra parar um pouco e desestressar antes da competição final.
- Eles ‘tão lá na água curtindo um pouco e treinando descontraídos, colocando em prática o que aprenderam durante o ano inteiro, quase que brincando. – Beth apreciou o entrosamento da turma
- Você deu muita segurança a eles. – Alessandra elogiou.
- Fiz o possível e Deus fez o impossível. – Beth acrescentou
- Você parece tão tranquila. – eu observei.
- É, mas eu comecei com medo.
- Mas você pegou logo o jeito. – Alessandra lembrou
- A responsabilidade assusta. – Beth colocou
- Eu esperava pela sua insegurança inicial, mas se aproveitamos você como treinadora é por que sabíamos que tinha potencial. – Alessandra afirmou.
- Eu agradeço primeiro a Deus, depois a vocês por essa oportunidade maravilhosa. Cresci muito. Foram duas etapas diferentes de crescimento.
- É. A primeira como aluna e a segunda como treinadora. – Alessandra comparou
- O crescimento dói um pouco, mas dá experiência. – Beth analisou
- Tem muito a ver com os treinos né Beth? – Alessandra estabeleceu um paralelo – Paulo mostra isso na Bíblia falando dos atletas. Os exercícios físicos doem no começo, depois todos tiram de letra.
- A garotada no começo ficava morta quando a gente mandava fazer 50 abdominais! – Beth lembrou rindo
- Tem coisas na vida que doem muito mais do que isso. – Alessandra colocou – seu começo foi duro
- Mas eu aprendi. Suportei a dor e conquistei a vitória.
- Todo o esforço traz compensações. Esta galera irada é uma das provas disso.
Beth apontou com carinho pra turma que se divertia surfando.
- Em falar nisso, você terminou os comentários no blog? – Alessandra perguntou
- Vai dar uma olhada lá. Vê se aprova.
- Com certeza vou aprovar. Escrito por uma pessoa tão sensível.
- Eu já posso imaginar os comentários. Tem umas meninas que escrevem que ‘tão acompanhando sem parar.
- É mesmo. A Érica que escreve DIÁRIO DA CAROL & ALINE, A Bia Suzena que escreve ASLINHAS DO MEU MUNDO, a Denise Beliato. São presenças constantes. Outras estão sumidas, mas deve ser por falta de tempo.
- Eu também li MEUS OLHOS TE VÊEM. Pena que tá parado. A história é linda.
- Nossos leitores são fonte de inspiração. O que vale não é o número e sim a qualidade, o que escrevem nos comentários. A sensibilidade é o melhor ingrediente pro texto crescer. Seja vindo de quem escreve, ou pelo feedback que o leitor dá.
- Com certeza estas que comentam sempre têm sensibilidade de sobra. – Beth observou
- Bom, vamos deixar você com o seu feedback aqui e vamos ler seu depô lá. Tô muito curiosa. – eu disse
- Té mais! - Alessandra e eu nos despedimos.
- Aguardo pelos seus comentários também. – Beth lembrou.
- Com certeza. – eu respondi.
Fomos eu e Lessa ansiosas pra ler.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

CAPÍTULO V - ENTÃO DIRÁS A TEU FILHO – GABRIEL

Reli com emoção aquele capítulo do blog, agora com 62 seguidores, depois de ler toda a saga das VIDAS SEPARADAS pelas circunstâncias, mas também para Deus. A separação de minha mãe e de suas amigas Brenda e Alessandra nada mais foi do que a separação para maior união. Eu ainda não me vejo com amizades assim, que formam um só corpo, o corpo de Cristo. O diálogo do capítulo anterior tem um ano e sei o que alguma mudou e aumentou: eu cresci em idade, em tamanho em amor pelos meus pais e acima de tudo na fé. Eu tenho meus altos e baixos, eu sei. Muitas vezes engrosso, sou malcriado com minha mãe, mas ela disciplina, dá até uma bronca e quando ela e meu pai chegam à conclusão que foram exigentes demais comigo, se desculpam e conversam muito. Nós não deixamos nada pra muito depois. Pra um pouco depois, sim. Muitas vezes, minha mãe olha pra mim séria e diz: “Vai pro seu quarto e depois conversamos”. Meu pai faz o mesmo. Eu sempre digo que eles são o casal 132, a união dos 66 livros da Bíblia. Eles erram, mas querem sempre acertar. São o exemplo vivo de como Deus perdoa e dá novas chances. Eu tenho muito orgulho dos meus pais. Agora mesmo eu li uma passagem bíblica que expressa tudo o que eles ensinam pra mim desde que me entendo por gente: Quando teu filho te perguntar no futuro, dizendo: Que significam os testemunhos, e estatutos e juízos que o SENHOR nosso Deus vos ordenou?
Então dirás a teu filho: Éramos servos de Faraó no Egito; porém o SENHOR, com mão forte, nos tirou do Egito;
E o SENHOR, aos nossos olhos, fez sinais e maravilhas, grandes e terríveis, contra o Egito, contra Faraó e toda sua casa;
E dali nos tirou, para nos levar, e nos dar a terra que jurara a nossos pais.
E o SENHOR nos ordenou que cumpríssemos todos estes estatutos, que temêssemos ao SENHOR nosso Deus, para o nosso perpétuo bem, para nos guardar em vida, como no dia de hoje. (Deuteronômio 6: 20 - 25)
- Quanta aplicação, hein?
- Hã, oi pai. – eu virei pra ele que acariciou meus cabelos
- Cê não cansa de ler este blog. E agora é mais um narrador.
- VIDAS SEPARADAS tá impactando vidas, pai. Eu não tenho nenhum problema em me aceitar como um cara sensível. Também, quem sai aos seus, não degenera. Sabe que eu leio e imagino como foi tudo pra você, pra minha mãe. É como se eu fosse alguém de fora, como se eu no momento que leio fosse transportado pros anos 80, que nem aquele filme...
- DE VOLTA PRO FUTURO?
- É. O cara faz com que o encontro dos pais fosse mais romântico e quando voltou tava tudo diferente.
- É... Mas o que a gente passou, tinha que passar. Foi a vontade permissiva de Deus.
- Lendo a Bíblia a gente entende algumas coisas assim e relê o mesmo que leu antes e descobre coisas novas.
- A Palavra de Deus se renova, meu filho. Algumas pessoas comparam minha situação com a sua mãe com a de Davi e Betsabá. Tem seus pontos em comum. Com a diferença que Davi conhecia a Deus, eu não conhecia. A prova dele foi mais dura que a minha.
- Sabe, pai, eu quando leio sobre o filho que a mamãe perdeu, tenho vontade de estar lá naquela hora dando um abraço, consolando. Eu viajo no tempo mesmo.
- Se não fossem Alessandra e Brenda...
- Mas glória a Deus pelas vidas delas. Elas são maravilhosas. Pai, eu não conheço ninguém que seja tão amigo assim. Acho que até dizer amizade é pouco é amor ágape, é união. Como aquela música da Fernanda Brum e Eyshila, CANÇÃO PRA MINHA AMIGA. É o que elas são. No capítulo que a Alessandra fala que os pais vão se separar, a Brenda e minha mãe nem pensam mais que vão mudar, mas ela sofre 3 vezes mais por que elas vão embora. A Alessandra ama tanto minha mãe que diz que foi pior do que tivesse acontecido com ela mesma.
- É...Deus tinha um plano pras nossas vidas, mas teria sido perfeito se a gente tivesse se reencontrado em outras circunstâncias.
- Mas Ele fez com que fosse até melhor o reencontro, né pai. Você pediu perdão, falou de Jesus pra ela. É de chorar também o capítulo que ela conta como foi. Eu choro quando leio que ela abraçou minha avó, se reconciliou com ela.
- Pra ver como é o perdão de Deus. Usou a Brenda pra que o seu avô a perdoasse nos últimos momentos de vida. O plano de Deus é perfeito. A gente é que atrapalha. Você vê. José sonhou o que ia aconteceu tantos anos depois, tinha o dom de interpretar sonhos, mas falou pros irmãos antes da hora. Comigo e sua mãe foi antes da hora, mas mesmo assim, Deus trabalhou em nossas vidas pra que acontecesse a nossa união no momento certo.
- Ainda agora eu li o que a minha mãe contou daquela menina Flávia. Ela te falou né?
- Ah, sei. Ela ganhou a competição do ano passado. Cê leu o que ela escreveu pra sua mãe? Tá no blog, Ó só:
À MINHA MÃEZINHA ESPIRITUAL:
Mamãe Carla. Minha mãe agora morre de ciúmes de você, mas ficou feliz por saber que Deus te usou pra me trazer de volta à vida. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. (Filipenses 1: 21) você me ajudou a renascer pra vida, pra vida com Jesus. Eu te amo demais. To aqui com Alessandra lendo o blog que tá bombando. Comentários emocionados de pessoas que choraram lendo e algumas até sentiram a mesma dor que você sentiu de perder um filho. Outras comentaram saudosas de amigas que não vêem há muito tempo. Eu tenho um carinho especial pela Alessandra, uma treinadora dedicada que ama o trabalho. Ela é muito carinhosa, assim como você. Mas eu nem sei explicar a emoção que senti logo que te vi. Admirei sua amizade pela Alessandra, li os relatos da Brenda e senti meu coração pulsar mais forte como sei que pulsa os de vocês com toda esta fonte de amor ágape. Na existem tantas amizades como as de vocês. Isto é lindo. Carla, eu tô escrevendo e chorando, assim como li pessoas comentarem neste blog dizendo: peraí que eu tô chorando... Até passeei por outros blogs e achei um que é show: AS LINHAS DO MEU MUNDO, não deixe de ler. Têm outros também: DIÁRIO DA CAROL, ALINE,NICOLY, MALU & LEVI. Cada história mais linda que a outra. Sei que você tá ocupada e que não dá pra vir aqui, mas eu não temino o ano sem te ver. TE AAMOOOOO MINHA MÃEZINHA CARLA!!! Vou te sufocar com meus abraços e o Biel vai ter que te dividir comigo pelo menos quando eu estiver aí. A PAZ DO SENHOR, MINHA AMADA.
- Sua mãe chorou quando leu isto.
- Confesso que me dá um ciúme, mas é bom ser amado assim. Ah, pai, peraí que a Natalinha tá falando comigo no Messenger.
Natalinha diz:
Oi Biel!
Biel diz:
Oi, tudo bem?
Natalinha diz:
Tudo e vc?
Biel diz:
Tudo bem. Vc vem aqui?
Natalinha diz:
Vou sim, vou passar na minha mãe antes, mas passo aí sim
Biel diz:
O blog tá show, né?
Natalinha diz:
É cara. Sabe que eu não canso de ler, volto aos capítulos da 1ª parte, choro de emoção. Parece que tá acontecendo naquele momento.
Biel diz:
É mesmo.
- Biel! Vem almoçar, filho! – minha mãe chamou
- Já vou, mãe!
Biel diz:
Vou almoçar, quando der eu volto.
Natalinha diz:
Falou, vou ler mais por aqui, a paz do Senhor!
Biel diz:
A paz, bye!
Natalinha diz:
Bye!

sábado, 8 de janeiro de 2011

CAPÍTULO IV - HERANÇA DO SENHOR – CARLA

Aquela linda garota acabava de renascer naquele momento e foi surfar transformada, sorrindo entre os colegas. Eu a apreciava com emoção. Estava tão entretida que nem senti alguém chegar suavemente me chamando pra que eu não me assustasse:
- Mãe.
Eu olhei pra trás e admirei meu garotão lindo, os cabelos cacheados e castanho escuros, o físico forte embora nos últimos tempos estivesse com um pouquinho mais de peso. Olhei pra ele com a mesma ternura que da primeira vez que o tive nos braços.
- Oi, querido.
- Eu emborquei no sofá.
- Cê tava muito cansado, por isso não o chamei. Cê quer falar comigo, filho?
- É...
- É... Precisa ensaiar pra se abrir com sua mãe?
- Mãe, em primeiro lugar, desculpa por eu ter ficado de tão mau humor na vinda pra cá.
- Tá desculpado filho. Só não quero que fique um clima pesado, de silêncio entre nós. Sei que tá sentindo um pouco de falta do seu pai, mas ele tá mais ocupado, não é por não ligar pra você. Ele gostaria de ter vindo.
- Eu sei.
- Fala filho. Eu e seu pai sempre estivemos dispostos a ouvir você.
- Mas mãe... Eu já falei com vocês...
- O que filho? Você parece comigo quando tinha a sua idade. Quando eu queria falar sobre uma coisa difícil eu enrolava, enrolava e era preciso que alguém puxasse o assunto de mim. Só que eu continuei a ser assim com um pouco mais de idade do que você agora e quem puxava assuntos pra eu me abrir eram a Brenda e a Alessandra, porque meus pais não eram bons ouvintes. Mesmo que eu e seu pai discordemos, nós te ouvimos.
- Mãe, me diz uma coisa: como é que se sabe o gosto do guaraná se não podemos provar?
- QUÊ?! – fiquei espantada – Onde é que cê ouviu isso? Com certeza nem eu nem seu pai usamos esse vocabulário esquisito, com cheiro de mundão!
- Tá vendo, mãe? Não adianta falar!
- Adianta sim. Você se prende e quando fala se estoura deste jeito é por que não tá confiando nos valores que seus pais passam pra você ouvindo essas barbaridades que os colegas da escola, da academia falam! Qual é rapá?! Vai se deixar levar por essas idéias que garotas são mercadoria, que o garoto tem que mostrar que é machão?! Você quer agradar a Deus ou aos homens?
- Pôxa, mãe, ficam me zoando!
- E você é o que dizem? Você sabe que não. Ser macho não é ser pegador de mulher. Pra seguir Jesus, meu filho, tem ser muito mais macho do que esses filhinhos de papai por aí que tem tudo, mas não têm o que mais precisam: Jesus. Por que ao invés de se comparar a essas pessoas vazias você não se mira no exemplo dos seus irmãos? Marquinho soube esperar e taí casado e feliz. Você ainda tá com 15 anos, começando a vida e já tá entrando nessa?! Criança tem que ser criança e adolescente tem que ser adolescente! Vai se deixar transtornar por opiniões desses garotões metidos que só querem se mostrar?
- Ah, mãe... Sei lá...
- Filho, você aprendeu todos os princípios da vida cristã. Sei que você sofre, mas é assim mesmo. A gente é mais que vencedor. É nessas horas que a gente tem que ter na ponta da língua o que aprende na Bíblia: “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (João 16: 33-b)
- Mas eu sinto atração por garotas.
- É natural, Biel, mas a atração vem e passa por que nesta idade você ainda não pode saber quem vai ser sua companheira um dia. Atração pelo sexo oposto é normal. Mas se alguma menina tem a visão do mundo e você entra na dela se dá mal. Eu conheci uma senhora cujo filho se deixou levar pelos encantos de uma menina que não era da igreja. Daí, naquele pensamento de que não teria nada demais por que hoje em dia isso é normal, ela ficou grávida, ele descobriu que não a amava, que só teve uma empolgação. A mãe avisou que ele ia se machucar por que ela não era da igreja. Agora ela fica em cima dele por causa de pensão pra filha, ele casou com outra da igreja, mas ela faz tudo pra perturbar. O rapaz pagou o preço por não buscar a direção de Deus. Quero que tudo pra você seja sempre melhor.
- Do que foi com você e meu pai?
- Exatamente. Eu e seu pai erramos, mas nos arrependemos e Deus restaurou nossas vidas. Mas você conhece a palavra de Deus, nós quando nos conhecemos, não.
- Mãe...
- Que é filho? - Gabriel olhou pra mim e uma lágrima rolou. Igual a mãe, emotivo como ele só, não que o pai não fosse, mas sempre achei meu filho uma versão masculina minha, até nos sentimentos.
- Eu te amo.
Ele me abraçou e ainda disse:
- Fazer a vontade de Deus é difícil, né?
- É, mas não é impossível. Ele tá com a gente. “Pois me cingiste de força para a peleja; fizeste abater debaixo de mim aqueles que contra mim se levantaram”. (Salmos 18: 39)
- Mãe, como teria sido se você não tivesse perdido o outro filho?
- Você gostaria de ter um irmão que também fosse meu e do seu pai?
- Eu amo meus irmãos, mas sei lá, fico imaginando como seria.
- Filho, eu nem sei. Tudo aconteceu tão de repente que nem deu pra pensar.
- Você sofreu muito quando perdeu o neném né?
- Sim, filho. Nós, mães, sentimos a perda até dos filhos que não pudemos abraçar. É uma dor indescritível. Quando relatei isso no blog, duas leitoras que perderam filhos comentaram. As situações foram diferentes, mas o sentimento de perda é o mesmo.
- Hoje eu me sinto filho único. Meus irmãos casaram todos.
- É. Você é o bebê da família e acabou sendo privilegiado pela diferença de idade dos seus irmãos. Eu e seu pai preferimos ficar só com você pra poder te dar mais atenção, foi de comum acordo.
- Como foi quando meu pai soube que cê tava grávida, mãe?
- Ah, meu filho... Ele parecia que ia explodir de tanta felicidade! A gente não tinha ainda 3 meses de casados, eu descobri e fui logo contar pra ele, queria que fosse o primeiro a saber. A gente até desconfiava, mas não tinha certeza. Ele tava no escritório e nem tava lembrando de tão atarefado. Eu disse que fiz o exame de farmácia e ele chegou a pular! Sua gestação foi muito amorosa, ele acariciava tanto minha barriga. Ele sempre foi muito carinhoso, naquele tempo então, ficou um melado. Nem este mar exemplifica a transbordante felicidade que foi a confirmação da minha gravidez, acho que foi um maremoto de emoção, de alegria, o nosso amor aumentou mais a cada dia. Você foi um presentão. Por isso que eu sou tão zelosa, até exagerada, mas tenho que cuidar do que Deus me deu. Gratidão também é isso. Um dia você vai ter a mesma experiência. Seu pai pode parecer rígido muitas vezes, pode parecer que é a idade, ele tinha 40 anos quando você nasceu, mas ele te amou desde o meu ventre.
- Pôxa... Sem palavras...
- Lembre-se sempre do quanto é amado e esqueça os que aparecem como pedra de tropeço no seu caminho. A caminhada com Jesus não é moleza, mas traz vitória. “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (II Coríntios 4: 17)
- Amém.
Abracei muito meu filho amado. Este foi um dos momentos mais marcantes que vivi como mãe, embora tenha sido no ano passado, mesmo atrasado mereceu destaque neste blog que já conta com 61 seguidores. Lembrei do momento que ele nasceu, quando olhei pro Marcos e disse: “Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão.” (Salmos 127: 3)

domingo, 19 de dezembro de 2010

CAPÍTULO III

LIÇÕES DE VIDA DE UMA MÃE ESPIRITUAL - FLÁVIA
Tenho 18 anos. Cheguei aqui em janeiro de 2009. Vim pra cá quebrada na alma, nos sentimentos, tentando juntar os pedaços e em pouco tempo entendi que seria pesado demais conseguir fazer isso sozinha. No ano anterior foi a tempestade e aqui veio a bonança. Terminei o ensino médio aos 16 anos e ao completar 17 logo no início de 2008, ganhei um presentão da minha mãezona que me criou sozinha e foi sempre um referencial pra mim. O presente foi ir pra Austrália, berço do surf, pra competir no circuito internacional. Gente de todos os cantos do mundo participou.
Voltando do campeonato eu estava profundamente deprimida. Pela derrota? Não, não foi uma derrota esportiva, foi uma das lições que a vida dá, uma derrota da vida. Quando voltei, ainda em forte depressão, pude ouvir a conversa de Peter, primo de minha mãe que apesar de ser um pouco mais novo do que ela e um pouco mais velho do que eu, é como uma figura de pai pra mim:
- Como está a Flávia?
- Como ela pode estar? Péssima.
- Tá no quarto, né?
- Tá.
- Chame aqui, por favor.
- Não precisa chamar, já tô aqui. – eu respondi e me joguei nos braços de Peter.
- Tava morrendo de saudade, Peter, que bom que você tá aqui.
- Minha princesinha do surf. – ele me chamava sempre assim
- Meu rei dos mares.
- O rei dos mares tá aqui pra dar uma boa notícia.
- O que? – perguntei sem entusiasmo
- Você pode retomar seus treinos depois deste tempo que ficou de molho, ou melhor dizendo: “a seco” numa academia em Floripa.
- Mas ela já é praticamente profissional! – minha mãe se indignou – Depois de um torneio na Austrália você quer que ela vá pra Floripa?!
- Prima! Que é isso?! Parece antinacionalista! Nós somos descendentes de europeus, mas somos nascidos e criados no Brasil! Ai de quem diga que eu não sou brasileiro! É como diz na música: “Eu sou brasileiro, meu todo revela que a minha bandeira é verde amarela”!
- Peter... Eu não sei se quero ir. – eu disse
- Por que não?
- Ah...vai me lembrar tudo... – comecei a chorar e Peter me abraçou
- O que cura uma dor é procurar pelo que você gosta no lugar onde sejam curadas as feridas. É como tá na Bíblia: Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. (Isaías 53 : 5). Eu senti o que é isso e você vai sentir.
Apesar da minha relutância, Peter tava tão determinado que aquela injeção de ânimo contaminou minha mãe e logo a seguir a mim. Eu fui. Cheguei retraída, mas ouvi com atenção as recomendações do Allan.
- Todos vocês aqui estão em busca de um ideal. Ninguém vence ninguém, todos competem. A vida é eterna luta. A competição que se vê por aí é um tentando derrubar o outro, mas não é esta a nossa visão. Há quase 20 anos treino candidatos aqui e não houve vez alguma que não saíssem daqui grandes amigos. Por incrível que pareça, mesmo na perda um abraçava o outro e abençoava o seu sucesso. Os aparentes perdedores sempre tiveram metas. Os que não puderam ir disputar no circuito internacional, muitos deles se tornaram excelentes treinadores, alguns me assessoraram e estão aqui até hoje, outros foram com alunos daqui pra outras partes do mundo pra treiná-los lá. Não há perdedores aqui, todos adquirem experiência. Tudo o que se aprende aqui é importante. Não há lugar para exibições em nenhum sentido. Não admito rivalidade e aos que estão ainda com 17 anos, lembrem-se que são menores e somos responsáveis por vocês. Os de 18 são maiores, mas têm que cumprir com horários e obrigações. Aqui todos lavam suas roupas, arrumam seus quartos e lavam seus pratos.
Depois de mais algumas explicações, Allan apresentou a Carla que ia dar umas aulas de aeróbica e mandou a gente ficar à vontade e ir surfar de uma maneira bem descontraída. Eu tava ainda chateada e fiquei afastada do grupo. Quando voltei da água, reparei que Carla me observava ao lado de Alessandra.
- Flávia, a gente tava te observando, você surfa muito bem. – Alessandra elogiou.
- ‘Brigada... – agradeci de cabeça meio baixa e Carla, sorridente, levantou meu queixo com a mão e me olhou com uma ternura que dava até pra ver os olhos brilhando por detrás daqueles óculos escuros.
- Cabeça erguida minha linda.
- Ela é minha amiga desde que me entendo por gente. – Alessandra abraçou Carla. Senti que havia uma amizade muito forte entre as duas.
- Nós somos xipófagas de coração! – Carla enfatizou.
- É... – Alessandra riu
- Gente, eu tenho que entrar. Vou deixar vocês se conhecerem mais, o tempo da Carla aqui vai ser curto.
Alessandra nos deixou a sós e Carla permanecia olhando pra mim com ternura.
- Se eu tivesse tido uma filha queria que fosse tão linda quanto você.
- Você não tem filhos?
- Tenho um. Um gatão. Tem 15 anos e veio comigo. Ele tava tão cansado que ficou vendo TV lá dentro e dormiu no sofá.
- Sei...
- Você parece triste.
Logo que ela falou isso, não agüentei e chorei. Deus havia mandado um anjo pra me consolar, naquele momento difícil e desabafar como faria com minha mãe. Ela me abraçou.
- Chora. Também tive quem me oferecesse os braços em momentos difíceis e te ofereço os meus. Se não quiser falar agora, não fala, só chora, esvazia tudo.
Chorei mais e mais de soluçar alto. Não senti vergonha. Senti liberdade pra chorar naqueles braços fortes que me acolhiam. Nunca fiquei tão à vontade com uma pessoa que acabava de conhecer, mas ela era especial. Depois que respirei fundo, ela me deu uma água de côco. Sentamos e conversamos.
- E aí, quer falar?
- Eu...tô até gostando de estar aqui, mas tô vindo pra esquecer e não consigo.
- Você tá aqui pra se curar.
- Como assim?
- Só Deus sabe o que tá sentindo. Ele sabe de tudo, mas eu só vou saber se você falar.
- Você teve alguma desilusão quando era da minha idade?
- Você tá com quantos anos?
- Fiz 18 há pouco tempo.
- Sei... Exatamente na sua idade m apaixonei na hora errada, mas depois passei a amar na hora certa.
- Cumé que é?! - Perguntei achando graça. Aquele comentário estranho me descontraiu.
- É louco, mas foi o que aconteceu comigo. Eu conheci um homem mais velho, ele era casado. Eu não queria ter nada com ele, mas a persistência dele foi tanta que não agüentei. Cedi. Fomos infelizes, ele teve que se afastar. A mulher dele tava doente. Eu tava grávida e ele nem soube logo. Em pouco tempo fiquei sem ele, perdi o neném e meu pai morreu.
- Pôxa... O que você falou antes pareceu até engraçado, mas agora eu fiquei triste.
- Foi triste, mas eu aprendi o quanto Deus pode perdoar e deixar a gente recomeçar depois que reconhece o erro.
- Eu... também perdi um filho.
- Não foi por acaso que eu quis falar com você. Quando a vi surfando isolada, senti que tava perdida no meio do grupo. Quer contar como foi?
- Eu fui competir na Austrália ano passado. Conheci um garoto japonês, Takaki.
- Atração à primeira vista?
- É...
- Aconteceu lá?
- Depois do campeonato na Austrália a gente comemorou até demais. Voltei pro Brasil e participei de um campeonato Saquarema. Ele também participou.
- E aí?
- Ficamos juntos de novo, mas ele não queria nada de sério. Ia a festas, enchia a cara e pegava várias garotas.
- Em resumo, o cara queria só bagunça, né?
- É... – chorei novamente – Eu fui surfar no exato momento em que o vi de agarramento com uma garota numa festa que tava rolando na praia. Queria descontar minha raiva no mar. Eu bem senti que minha regra tava atrasada, mas não tinha certeza de nada. Levei um pancadão no mar, pois tava desconcentrada. Tive uma hemorragia e se não tivesse salvamento por perto, eu teria morrido afogada. Matei meu filho sem querer...- chorei mais ainda e ela me abraçou
- Minha linda, desilusões amorosas todos nós estamos sujeitos a sofrer. Se eu tivesse 18 anos hoje, com a cabeça que tenho, esperaria o momento certo de me entregar depois do casamento. Você parece uma pessoa muito sensível, isso te machucou muito. Mas tem alguém que cura as feridas e cujo nome é acima de todo nome: Jesus. Foi Ele que te trouxe aqui e foi ele que me uniu novamente ao pai deste filho que perdi. Eu o reencontrei depois que ele enviuvou e ele me apresentou a Este Deus maravilhoso que sara cura e liberta. Nossas vidas foram restauradas, nós nos casamos e ele me deu o filho que temos. Tá vendo este mar revolto? E aí que Deus joga tudo o que fizemos de errado depois que nos entregamos a Ele. Responda sem pensar: quer aceitar Jesus como seu único e suficiente salvador?
- Eu...
- Tá pensando muito. Você não pensou pra errar, agora não pense pra acertar.
- Você diz umas coisas assim tão... Tão...
- Loucas, né? É isso mesmo. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; (I Coríntios 1 : 27) desde que me casei foi esta a palavra que mais assimilei por que resume tudo o que vivi. Depois vou mostrar a você minha história que tá no blog VIDAS SEPARADAS e você vai ver o título que dei ao capítulo do dia do meu casamento: UM DIA LOUCAMENTE ESPECIAL. As coisas de Deus são tão maravilhosamente loucas que eu sou cada vez mais louca por Ele. Quer enlouquecer por Deus e saber como Ele transformará loucamente sua vida, numa loucura de amor ágape, de renovação, de esperança? Foi através da transformação da vida do Marcos, meu marido que entendi isto. Ele era tão safado quanto este garoto que você falou, mas Deus o transformou e pode até transformar esse garoto. Não digo que você vá ficar com ele um dia, pois cada caso é um caso e o meu foi uma experiência que Deus queria que eu passasse. A sua é só sua.
- Eu quero este Deus.
- Repita comigo: Senhor Deus, creio que tu és o criador dos céus e da terra e que deste seu amado e único Filho Jesus para que eu tivesse a vida eterna e eu O aceito como meu único e suficiente salvador. Perdoa os meus pecados e escreve o meu nome no livro da vida. Eu te agradeço em nome de Jesus, amém.
Repeti até o fim e a partir dali tive uma vida nova e nunca me esqueci da Carla que passei a amar como uma mãe.

domingo, 12 de dezembro de 2010

CAPÍTULO II - RECICLANDO - ALESSANDRA

RECICLANDO - ALESSANDRA
Meu marido Allan e eu estamos casados há 18 anos. Os alunos que vem a cada ano são um presente pra nós. Tenho saudades de todos aqueles que aqui aprenderam técnicas de surf e acima de tudo o que é a vida em conjunto. Aqui não só se compete, mas aprende-se o que é relacionamento em grupo. O bem estar de todos é o principal.
Enquanto estava escrevendo, senti que alguém chegou devagarinho e tapou meus olhos. Sou boa em tato, toquei as mãozinhas e pra minha alegria, sem pensar disse:
- Natalinha! – eu gritei de emoção
- Oi, minha “boadrasta!” – ela me abraçou carinhosamente
- Que saudade! Como você tá linda!
- Não mais do que você.
- Puxa o saco da madrasta, puxa!
- “Boadrasta!” de todos os defeitos que você possa ter, você nunca vai ser madrasta.
- Seu pai já viu você?
- Já. Ele tá lá na casa dos garotos com o Sérgio, – Sérgio é o marido de Natalinha - não esperava que eu viesse tão cedo.
- Presente de fim de ano. Que bom que vocês passaram a lua de mel aqui.
- Só que foi rápido. Agora vamos voltar só em janeiro.
- Ah! Que máximo, como diz a Brenda! Já esteve com a Virgínia?
- Claro. Como mãe ciumenta que ela é, me bateria se eu não fosse ao Rio primeiro pra vê-la. Depois ela quer que eu volte no natal, mas ano novo passo aqui e depois fico mais um pouco lá pra ela não se sentir abandonada.
- É bom saber dividir. A gente vai passar o natal com a Brenda. Como estão seus irmãos?
- Todos ótimos. Por falar nisso, Cris não taí, né?
- Foi à casa de umas amiguinhas aqui perto.
- Pôxa, eu fiquei triste de não ter podido vir aos 15 anos dela! Vi as fotos na internet, minha irmã já é linda, como debutante então, tava arrasando.
- Minha princesinha...
- Caprichou, boadrasta.
- Sabe que eu às vezes penso que se a gente morasse junto, será que nos daríamos tão bem?
- Ah, eu tive um ciuminho logo que soube que você e meu pai iam se casar, mas passou.
- Te conquistei logo, né?
- Você tinha mais paciência que ele.
- Ele continua sendo rigoroso, mas quando precisa é amoroso também.
- Comigo ele sempre foi linha dura, mas eu aprendi muito.
- Ah, mas ele sempre te paparicou muito também. Lembra quando ele deu uma bronca quando você se sujou toda de suco no carro? Depois ele só de ver sua carinha triste parou o carro e te abraçou.
- Também eu tinha só 4 aninhos.
- Você sabia como comover todos nós desde cedo.
- Pois é.
- Acabei de escrever um blog e olha só como Deus faz as coisas, a Brenda e a Carla também escreveram. A gente reuniu tudo e montou uma história sobre a gente.
- Que massa!
- Olha só o título: VIDAS SEPARADAS.
- Muito maneiro, boadrasta.
- Menina, teve gente comentando, dizendo que tava emocionante o blog, respondi e-mail, conversei na internet. Querem saber se já tem livro, mas eu adiantei que é só o blog por enquanto. E você agora tá aqui vendo nascer a continuação. Seu pai escolheu um subtítulo: ONDAS DIVINAS.
- Tenho certeza de que o blog tá impactando muitas vidas. É como tá escrito: E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração. (Jeremias 29 : 13). Muitas pessoas podem começar a ler e não ter esta visão, mas todos estão carentes de Deus e vocês têm experiências muito fortes pra contar. Através dos testemunho de vocês vai saber quem é Ele. Este novo blog tem muitas carinhas novas, né?
- Meus filhos de coração. Todos estes vão disputar no fim do ano.
- Esta menina aqui é linda.
- Ah! É a Flávia. Um amor de menina. Você vai conhecer.
- Tem um depô aqui abaixo da foto dela.
- Um testemunho. Esta menina chegou aqui ano passado, espiritualmente quebrada. Carla tava aqui com o Biel, deu umas aulas pra galera, foi show!
- Tô com saudades da Carla também. Ela deve estar na maior atividade, né?
- Aquela não para! Chega a ter mais disposição que o filho! Tem gente que nem acredita que ela já tem 42 anos e quem não conhece até se espanta quando ouve o Biel chamá-la de mãe.
- É mesmo, ela tá “inteiraça”. Tô curiosa pra ler o testemunho desta menina, Flávia.
- Vou ceder o computador pra você e ver como tá tudo lá fora.

sábado, 11 de dezembro de 2010

VIDAS SEPARADAS 2 - ONDAS DIVINAS

INTRODUÇÃO
Aqui começara a 2ª parte de VIDAS SEPARADAS. VIDAS SEPARADAS 2 – ONDAS DIVINAS
Assim como na primeira parte há uma há narrativas alternadas, mas com uma diferença: cada personagem cuja história está destacada é o narrador. Os leitores poderão apreciar e dar sugestões com seus comentários. Esta continuação é uma homenagem a todos os que acompanharam postando suas apreciações na parte anterior. Espero que gostem. Seus comentários são muito importantes, pois estarão ajudando a escrever com suas opiniões. Deixem suas sugestões, a história é flexível e poderá ser desenvolvida através da participação de todos.


CAPÍTULO I
VENCENDO COM JESUS - ALLAN
Olá, estou tendo a honra de começar a segunda parte deste blog. Estamos com 56 seguidores e sei que muitos se emocionaram lendo a primeira parte.
Sou professor de surf, um surfista de Deus. Quando muito jovem, eu levava a vida sem muitos compromissos, mas hoje O Senhor é meu compromisso. O surf é de Deus e o mar foi uma das mais belas coisas da natureza que Ele criou. Quando aprendi todas as técnicas do surf, o equilíbrio do corpo, a agilidade, os treinos constantes, eu estava conhecendo também a palavra de Deus. Daí, comecei a entender a correlação da palavra com os treinos, como na passagem: “Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível” (I Coríntios 9: 25). Sempre me empenhei para ter a melhor performance no mar. Na minha mente estava sempre o pensamento: hei de vencer! Como disse Paulo: Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. (II Timóteo 4 : 7). Este combate sempre se reinicia, na pregação da palavra temos novos desafios como nas competições do surf.
Meus alunos sempre foram excelentes, mas infelizmente não dava pra escolher a cada ano mais do que um garoto e uma garota pra ir competir como prêmio depois da competição anual, no circuito internacional. Ensinei, mas aprendi muito. Nos primeiros tempos, eles eram como irmãos mais novos. Com a idade, passei a vê-los como filhos. Cada vida uma história diferente, mas aprendendo unidos num mesmo ideal de competir aprendendo que estamos todos juntos, não é ninguém contra ninguém. Não ser classificado nas etapas finais não significa absolutamente uma derrota, tudo é experiência. Fui sempre duro com as regras, mas também amigo, compreensivo e para estabelecer uma noção de respeito, fui muito rigoroso. As normas sempre foram rígidas, pois com a vivência da palavra, sei como estão aqueles que não conhecem as leis espirituais e toda a bagagem que trazem de fora. Aqui em Floripa, temos duas casas que abrigam os alunos de surf. Uma para os meninos e outra para as meninas.
Minha fiel companheira Alessandra, espôsa dedicada sempre me ajudou e nossa filha Cristina 15 anos, é bem mais nova do que a galera que está entre 17 e 18 anos, mas treina desde pequenininha. Nossa vida se divide entre Floripa e no Rio no nosso apartamento em Copa. Minha filha mais velha, Natalinha, uma moça de 21 anos, mas assim como a Cris, ela é a minha menina, também aparece quando pode. Aprendeu muitas técnicas de esporte, mas as técnicas de evangelismo são o seu ponto mais forte. Ensinei muitas coisas às minhas filhas. Também aprendo com elas.
No fim do ano haverá a competição final. O pessoal tá tenso, eu procuro passar segurança e eles confiam em mim, pois eu os ensinei sempre a perseverar e eles foram aos poucos superando aquelas tensões iniciais. Todos têm uma história pra contar e aqui todos são personagens principais.
Minha querida esposa, sempre me apóia como uma verdadeira ajudadora. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. (Gênesis 2: 24). Nossa história teve desencontros e reencontros. O que mais apreciei em Alessandra é que muito antes de convertida, ela já tinha dentro de si o amor ágape e nem sabia. Deus já a estava preparando. O nosso reencontro depois de mais de quatro anos embora parecesse casual, marcou um novo tempo nas nossas vidas. Eu já estava com o Senhor e ela pode sentir a luz d’Ele através da minha vida. Carla se converteu antes e Brenda já dava um grande testemunho sendo o esteio da amizade das três que sempre foram mais unidas que irmãs. Foi assistindo as técnicas do surf e meu relacionamento com os alunos e depois vendo a transformação de Carla que Alessandra se encantou com Este Deus maravilhoso e abriu a porta para Ele. Um dia nos casávamos e nossa família cresceu e se multiplicou numa grande família de Deus, na igreja, na academia com as vidas que ganhamos. VIDAS SEPARADAS pra Deus, vidas alcançadas pelo amor de Cristo.
- Amor. – Alessandra me chamou
- Oi, querida. – ela chegou mansamente e encostou perto de mim.
- Tava escrevendo no blog?
- É, li os comentários das pessoas que leram a primeira parte e tô tentando fazer a segunda. Não sei se sou tão bom de escrever quanto vocês.
- O lance é escrever com o coração, amor, de uma maneira simples. O blog tocou muitas pessoas. As narrativas fizeram gente chorar.
- É... Até eu me emociono quando releio como se fosse a primeira vez.
- Eu passei por momentos tristes, mas serviram pra crescer. Eu era uma menina assim, meio mimada, meus pais se pararam e eu era ainda muito nova, Brenda e Carla no mesmo dia sabendo que iam se separar de mim. Foi uma tripla separação, mas tudo valeu como experiência, no fim, nos ficamos mais unidas. Tudo tem seu saldo positivo.
- A vida é isso mesmo amor, mas com Jesus, tudo é lucro. A gente pensa que tá perdendo mas ganha muito mais com Ele.
- Pois é. Que história que eu, Brenda e Carla teríamos pra contar se aquela manhã de praia se encerrasse como tantas outras?
- Que história eu teria pra contar se não tivesse havido um reencontro entre a gente?
- Foram necessários muitos desencontros nas nossas vidas pra que um dia houvesse o reencontro que fez delas uma só vida.
- É mesmo, amor.
- Eu já tenho um texto pra escrever no blog.
- Então, manda! Vou voltar lá pra fora, a galera tá nos últimos treinos.

sábado, 10 de julho de 2010

NOTA:

Devido ao interesse de alguns leitores, a estória VIDAS SEPARADAS terá uma continuação que ainda está sendo escrita, porém não de uma maneira convencional, prosseguindo exatamente do fim e sim um texto com vários personagens desta 1ª parte, obviamente com destaque para Brenda, Carla e Alessandra. Cada capítulo tem um narrador diferente, ou seja, cada personagem contando o seu testemunho. É o meu presentepara todos os que acompanharam como seguidores e deixaram e ainda deixam seus comentários. Você que está lendo ou que ainda não leu ou só postou no início ou só no fim, por favor, leia e poste nos outros capítulos para que o escritor possa ter uma melhor apreciação de seu texto. Obrigado a todos e aguardem.