domingo, 19 de dezembro de 2010

CAPÍTULO III

LIÇÕES DE VIDA DE UMA MÃE ESPIRITUAL - FLÁVIA
Tenho 18 anos. Cheguei aqui em janeiro de 2009. Vim pra cá quebrada na alma, nos sentimentos, tentando juntar os pedaços e em pouco tempo entendi que seria pesado demais conseguir fazer isso sozinha. No ano anterior foi a tempestade e aqui veio a bonança. Terminei o ensino médio aos 16 anos e ao completar 17 logo no início de 2008, ganhei um presentão da minha mãezona que me criou sozinha e foi sempre um referencial pra mim. O presente foi ir pra Austrália, berço do surf, pra competir no circuito internacional. Gente de todos os cantos do mundo participou.
Voltando do campeonato eu estava profundamente deprimida. Pela derrota? Não, não foi uma derrota esportiva, foi uma das lições que a vida dá, uma derrota da vida. Quando voltei, ainda em forte depressão, pude ouvir a conversa de Peter, primo de minha mãe que apesar de ser um pouco mais novo do que ela e um pouco mais velho do que eu, é como uma figura de pai pra mim:
- Como está a Flávia?
- Como ela pode estar? Péssima.
- Tá no quarto, né?
- Tá.
- Chame aqui, por favor.
- Não precisa chamar, já tô aqui. – eu respondi e me joguei nos braços de Peter.
- Tava morrendo de saudade, Peter, que bom que você tá aqui.
- Minha princesinha do surf. – ele me chamava sempre assim
- Meu rei dos mares.
- O rei dos mares tá aqui pra dar uma boa notícia.
- O que? – perguntei sem entusiasmo
- Você pode retomar seus treinos depois deste tempo que ficou de molho, ou melhor dizendo: “a seco” numa academia em Floripa.
- Mas ela já é praticamente profissional! – minha mãe se indignou – Depois de um torneio na Austrália você quer que ela vá pra Floripa?!
- Prima! Que é isso?! Parece antinacionalista! Nós somos descendentes de europeus, mas somos nascidos e criados no Brasil! Ai de quem diga que eu não sou brasileiro! É como diz na música: “Eu sou brasileiro, meu todo revela que a minha bandeira é verde amarela”!
- Peter... Eu não sei se quero ir. – eu disse
- Por que não?
- Ah...vai me lembrar tudo... – comecei a chorar e Peter me abraçou
- O que cura uma dor é procurar pelo que você gosta no lugar onde sejam curadas as feridas. É como tá na Bíblia: Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. (Isaías 53 : 5). Eu senti o que é isso e você vai sentir.
Apesar da minha relutância, Peter tava tão determinado que aquela injeção de ânimo contaminou minha mãe e logo a seguir a mim. Eu fui. Cheguei retraída, mas ouvi com atenção as recomendações do Allan.
- Todos vocês aqui estão em busca de um ideal. Ninguém vence ninguém, todos competem. A vida é eterna luta. A competição que se vê por aí é um tentando derrubar o outro, mas não é esta a nossa visão. Há quase 20 anos treino candidatos aqui e não houve vez alguma que não saíssem daqui grandes amigos. Por incrível que pareça, mesmo na perda um abraçava o outro e abençoava o seu sucesso. Os aparentes perdedores sempre tiveram metas. Os que não puderam ir disputar no circuito internacional, muitos deles se tornaram excelentes treinadores, alguns me assessoraram e estão aqui até hoje, outros foram com alunos daqui pra outras partes do mundo pra treiná-los lá. Não há perdedores aqui, todos adquirem experiência. Tudo o que se aprende aqui é importante. Não há lugar para exibições em nenhum sentido. Não admito rivalidade e aos que estão ainda com 17 anos, lembrem-se que são menores e somos responsáveis por vocês. Os de 18 são maiores, mas têm que cumprir com horários e obrigações. Aqui todos lavam suas roupas, arrumam seus quartos e lavam seus pratos.
Depois de mais algumas explicações, Allan apresentou a Carla que ia dar umas aulas de aeróbica e mandou a gente ficar à vontade e ir surfar de uma maneira bem descontraída. Eu tava ainda chateada e fiquei afastada do grupo. Quando voltei da água, reparei que Carla me observava ao lado de Alessandra.
- Flávia, a gente tava te observando, você surfa muito bem. – Alessandra elogiou.
- ‘Brigada... – agradeci de cabeça meio baixa e Carla, sorridente, levantou meu queixo com a mão e me olhou com uma ternura que dava até pra ver os olhos brilhando por detrás daqueles óculos escuros.
- Cabeça erguida minha linda.
- Ela é minha amiga desde que me entendo por gente. – Alessandra abraçou Carla. Senti que havia uma amizade muito forte entre as duas.
- Nós somos xipófagas de coração! – Carla enfatizou.
- É... – Alessandra riu
- Gente, eu tenho que entrar. Vou deixar vocês se conhecerem mais, o tempo da Carla aqui vai ser curto.
Alessandra nos deixou a sós e Carla permanecia olhando pra mim com ternura.
- Se eu tivesse tido uma filha queria que fosse tão linda quanto você.
- Você não tem filhos?
- Tenho um. Um gatão. Tem 15 anos e veio comigo. Ele tava tão cansado que ficou vendo TV lá dentro e dormiu no sofá.
- Sei...
- Você parece triste.
Logo que ela falou isso, não agüentei e chorei. Deus havia mandado um anjo pra me consolar, naquele momento difícil e desabafar como faria com minha mãe. Ela me abraçou.
- Chora. Também tive quem me oferecesse os braços em momentos difíceis e te ofereço os meus. Se não quiser falar agora, não fala, só chora, esvazia tudo.
Chorei mais e mais de soluçar alto. Não senti vergonha. Senti liberdade pra chorar naqueles braços fortes que me acolhiam. Nunca fiquei tão à vontade com uma pessoa que acabava de conhecer, mas ela era especial. Depois que respirei fundo, ela me deu uma água de côco. Sentamos e conversamos.
- E aí, quer falar?
- Eu...tô até gostando de estar aqui, mas tô vindo pra esquecer e não consigo.
- Você tá aqui pra se curar.
- Como assim?
- Só Deus sabe o que tá sentindo. Ele sabe de tudo, mas eu só vou saber se você falar.
- Você teve alguma desilusão quando era da minha idade?
- Você tá com quantos anos?
- Fiz 18 há pouco tempo.
- Sei... Exatamente na sua idade m apaixonei na hora errada, mas depois passei a amar na hora certa.
- Cumé que é?! - Perguntei achando graça. Aquele comentário estranho me descontraiu.
- É louco, mas foi o que aconteceu comigo. Eu conheci um homem mais velho, ele era casado. Eu não queria ter nada com ele, mas a persistência dele foi tanta que não agüentei. Cedi. Fomos infelizes, ele teve que se afastar. A mulher dele tava doente. Eu tava grávida e ele nem soube logo. Em pouco tempo fiquei sem ele, perdi o neném e meu pai morreu.
- Pôxa... O que você falou antes pareceu até engraçado, mas agora eu fiquei triste.
- Foi triste, mas eu aprendi o quanto Deus pode perdoar e deixar a gente recomeçar depois que reconhece o erro.
- Eu... também perdi um filho.
- Não foi por acaso que eu quis falar com você. Quando a vi surfando isolada, senti que tava perdida no meio do grupo. Quer contar como foi?
- Eu fui competir na Austrália ano passado. Conheci um garoto japonês, Takaki.
- Atração à primeira vista?
- É...
- Aconteceu lá?
- Depois do campeonato na Austrália a gente comemorou até demais. Voltei pro Brasil e participei de um campeonato Saquarema. Ele também participou.
- E aí?
- Ficamos juntos de novo, mas ele não queria nada de sério. Ia a festas, enchia a cara e pegava várias garotas.
- Em resumo, o cara queria só bagunça, né?
- É... – chorei novamente – Eu fui surfar no exato momento em que o vi de agarramento com uma garota numa festa que tava rolando na praia. Queria descontar minha raiva no mar. Eu bem senti que minha regra tava atrasada, mas não tinha certeza de nada. Levei um pancadão no mar, pois tava desconcentrada. Tive uma hemorragia e se não tivesse salvamento por perto, eu teria morrido afogada. Matei meu filho sem querer...- chorei mais ainda e ela me abraçou
- Minha linda, desilusões amorosas todos nós estamos sujeitos a sofrer. Se eu tivesse 18 anos hoje, com a cabeça que tenho, esperaria o momento certo de me entregar depois do casamento. Você parece uma pessoa muito sensível, isso te machucou muito. Mas tem alguém que cura as feridas e cujo nome é acima de todo nome: Jesus. Foi Ele que te trouxe aqui e foi ele que me uniu novamente ao pai deste filho que perdi. Eu o reencontrei depois que ele enviuvou e ele me apresentou a Este Deus maravilhoso que sara cura e liberta. Nossas vidas foram restauradas, nós nos casamos e ele me deu o filho que temos. Tá vendo este mar revolto? E aí que Deus joga tudo o que fizemos de errado depois que nos entregamos a Ele. Responda sem pensar: quer aceitar Jesus como seu único e suficiente salvador?
- Eu...
- Tá pensando muito. Você não pensou pra errar, agora não pense pra acertar.
- Você diz umas coisas assim tão... Tão...
- Loucas, né? É isso mesmo. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; (I Coríntios 1 : 27) desde que me casei foi esta a palavra que mais assimilei por que resume tudo o que vivi. Depois vou mostrar a você minha história que tá no blog VIDAS SEPARADAS e você vai ver o título que dei ao capítulo do dia do meu casamento: UM DIA LOUCAMENTE ESPECIAL. As coisas de Deus são tão maravilhosamente loucas que eu sou cada vez mais louca por Ele. Quer enlouquecer por Deus e saber como Ele transformará loucamente sua vida, numa loucura de amor ágape, de renovação, de esperança? Foi através da transformação da vida do Marcos, meu marido que entendi isto. Ele era tão safado quanto este garoto que você falou, mas Deus o transformou e pode até transformar esse garoto. Não digo que você vá ficar com ele um dia, pois cada caso é um caso e o meu foi uma experiência que Deus queria que eu passasse. A sua é só sua.
- Eu quero este Deus.
- Repita comigo: Senhor Deus, creio que tu és o criador dos céus e da terra e que deste seu amado e único Filho Jesus para que eu tivesse a vida eterna e eu O aceito como meu único e suficiente salvador. Perdoa os meus pecados e escreve o meu nome no livro da vida. Eu te agradeço em nome de Jesus, amém.
Repeti até o fim e a partir dali tive uma vida nova e nunca me esqueci da Carla que passei a amar como uma mãe.

domingo, 12 de dezembro de 2010

CAPÍTULO II - RECICLANDO - ALESSANDRA

RECICLANDO - ALESSANDRA
Meu marido Allan e eu estamos casados há 18 anos. Os alunos que vem a cada ano são um presente pra nós. Tenho saudades de todos aqueles que aqui aprenderam técnicas de surf e acima de tudo o que é a vida em conjunto. Aqui não só se compete, mas aprende-se o que é relacionamento em grupo. O bem estar de todos é o principal.
Enquanto estava escrevendo, senti que alguém chegou devagarinho e tapou meus olhos. Sou boa em tato, toquei as mãozinhas e pra minha alegria, sem pensar disse:
- Natalinha! – eu gritei de emoção
- Oi, minha “boadrasta!” – ela me abraçou carinhosamente
- Que saudade! Como você tá linda!
- Não mais do que você.
- Puxa o saco da madrasta, puxa!
- “Boadrasta!” de todos os defeitos que você possa ter, você nunca vai ser madrasta.
- Seu pai já viu você?
- Já. Ele tá lá na casa dos garotos com o Sérgio, – Sérgio é o marido de Natalinha - não esperava que eu viesse tão cedo.
- Presente de fim de ano. Que bom que vocês passaram a lua de mel aqui.
- Só que foi rápido. Agora vamos voltar só em janeiro.
- Ah! Que máximo, como diz a Brenda! Já esteve com a Virgínia?
- Claro. Como mãe ciumenta que ela é, me bateria se eu não fosse ao Rio primeiro pra vê-la. Depois ela quer que eu volte no natal, mas ano novo passo aqui e depois fico mais um pouco lá pra ela não se sentir abandonada.
- É bom saber dividir. A gente vai passar o natal com a Brenda. Como estão seus irmãos?
- Todos ótimos. Por falar nisso, Cris não taí, né?
- Foi à casa de umas amiguinhas aqui perto.
- Pôxa, eu fiquei triste de não ter podido vir aos 15 anos dela! Vi as fotos na internet, minha irmã já é linda, como debutante então, tava arrasando.
- Minha princesinha...
- Caprichou, boadrasta.
- Sabe que eu às vezes penso que se a gente morasse junto, será que nos daríamos tão bem?
- Ah, eu tive um ciuminho logo que soube que você e meu pai iam se casar, mas passou.
- Te conquistei logo, né?
- Você tinha mais paciência que ele.
- Ele continua sendo rigoroso, mas quando precisa é amoroso também.
- Comigo ele sempre foi linha dura, mas eu aprendi muito.
- Ah, mas ele sempre te paparicou muito também. Lembra quando ele deu uma bronca quando você se sujou toda de suco no carro? Depois ele só de ver sua carinha triste parou o carro e te abraçou.
- Também eu tinha só 4 aninhos.
- Você sabia como comover todos nós desde cedo.
- Pois é.
- Acabei de escrever um blog e olha só como Deus faz as coisas, a Brenda e a Carla também escreveram. A gente reuniu tudo e montou uma história sobre a gente.
- Que massa!
- Olha só o título: VIDAS SEPARADAS.
- Muito maneiro, boadrasta.
- Menina, teve gente comentando, dizendo que tava emocionante o blog, respondi e-mail, conversei na internet. Querem saber se já tem livro, mas eu adiantei que é só o blog por enquanto. E você agora tá aqui vendo nascer a continuação. Seu pai escolheu um subtítulo: ONDAS DIVINAS.
- Tenho certeza de que o blog tá impactando muitas vidas. É como tá escrito: E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração. (Jeremias 29 : 13). Muitas pessoas podem começar a ler e não ter esta visão, mas todos estão carentes de Deus e vocês têm experiências muito fortes pra contar. Através dos testemunho de vocês vai saber quem é Ele. Este novo blog tem muitas carinhas novas, né?
- Meus filhos de coração. Todos estes vão disputar no fim do ano.
- Esta menina aqui é linda.
- Ah! É a Flávia. Um amor de menina. Você vai conhecer.
- Tem um depô aqui abaixo da foto dela.
- Um testemunho. Esta menina chegou aqui ano passado, espiritualmente quebrada. Carla tava aqui com o Biel, deu umas aulas pra galera, foi show!
- Tô com saudades da Carla também. Ela deve estar na maior atividade, né?
- Aquela não para! Chega a ter mais disposição que o filho! Tem gente que nem acredita que ela já tem 42 anos e quem não conhece até se espanta quando ouve o Biel chamá-la de mãe.
- É mesmo, ela tá “inteiraça”. Tô curiosa pra ler o testemunho desta menina, Flávia.
- Vou ceder o computador pra você e ver como tá tudo lá fora.

sábado, 11 de dezembro de 2010

VIDAS SEPARADAS 2 - ONDAS DIVINAS

INTRODUÇÃO
Aqui começara a 2ª parte de VIDAS SEPARADAS. VIDAS SEPARADAS 2 – ONDAS DIVINAS
Assim como na primeira parte há uma há narrativas alternadas, mas com uma diferença: cada personagem cuja história está destacada é o narrador. Os leitores poderão apreciar e dar sugestões com seus comentários. Esta continuação é uma homenagem a todos os que acompanharam postando suas apreciações na parte anterior. Espero que gostem. Seus comentários são muito importantes, pois estarão ajudando a escrever com suas opiniões. Deixem suas sugestões, a história é flexível e poderá ser desenvolvida através da participação de todos.


CAPÍTULO I
VENCENDO COM JESUS - ALLAN
Olá, estou tendo a honra de começar a segunda parte deste blog. Estamos com 56 seguidores e sei que muitos se emocionaram lendo a primeira parte.
Sou professor de surf, um surfista de Deus. Quando muito jovem, eu levava a vida sem muitos compromissos, mas hoje O Senhor é meu compromisso. O surf é de Deus e o mar foi uma das mais belas coisas da natureza que Ele criou. Quando aprendi todas as técnicas do surf, o equilíbrio do corpo, a agilidade, os treinos constantes, eu estava conhecendo também a palavra de Deus. Daí, comecei a entender a correlação da palavra com os treinos, como na passagem: “Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível” (I Coríntios 9: 25). Sempre me empenhei para ter a melhor performance no mar. Na minha mente estava sempre o pensamento: hei de vencer! Como disse Paulo: Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. (II Timóteo 4 : 7). Este combate sempre se reinicia, na pregação da palavra temos novos desafios como nas competições do surf.
Meus alunos sempre foram excelentes, mas infelizmente não dava pra escolher a cada ano mais do que um garoto e uma garota pra ir competir como prêmio depois da competição anual, no circuito internacional. Ensinei, mas aprendi muito. Nos primeiros tempos, eles eram como irmãos mais novos. Com a idade, passei a vê-los como filhos. Cada vida uma história diferente, mas aprendendo unidos num mesmo ideal de competir aprendendo que estamos todos juntos, não é ninguém contra ninguém. Não ser classificado nas etapas finais não significa absolutamente uma derrota, tudo é experiência. Fui sempre duro com as regras, mas também amigo, compreensivo e para estabelecer uma noção de respeito, fui muito rigoroso. As normas sempre foram rígidas, pois com a vivência da palavra, sei como estão aqueles que não conhecem as leis espirituais e toda a bagagem que trazem de fora. Aqui em Floripa, temos duas casas que abrigam os alunos de surf. Uma para os meninos e outra para as meninas.
Minha fiel companheira Alessandra, espôsa dedicada sempre me ajudou e nossa filha Cristina 15 anos, é bem mais nova do que a galera que está entre 17 e 18 anos, mas treina desde pequenininha. Nossa vida se divide entre Floripa e no Rio no nosso apartamento em Copa. Minha filha mais velha, Natalinha, uma moça de 21 anos, mas assim como a Cris, ela é a minha menina, também aparece quando pode. Aprendeu muitas técnicas de esporte, mas as técnicas de evangelismo são o seu ponto mais forte. Ensinei muitas coisas às minhas filhas. Também aprendo com elas.
No fim do ano haverá a competição final. O pessoal tá tenso, eu procuro passar segurança e eles confiam em mim, pois eu os ensinei sempre a perseverar e eles foram aos poucos superando aquelas tensões iniciais. Todos têm uma história pra contar e aqui todos são personagens principais.
Minha querida esposa, sempre me apóia como uma verdadeira ajudadora. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. (Gênesis 2: 24). Nossa história teve desencontros e reencontros. O que mais apreciei em Alessandra é que muito antes de convertida, ela já tinha dentro de si o amor ágape e nem sabia. Deus já a estava preparando. O nosso reencontro depois de mais de quatro anos embora parecesse casual, marcou um novo tempo nas nossas vidas. Eu já estava com o Senhor e ela pode sentir a luz d’Ele através da minha vida. Carla se converteu antes e Brenda já dava um grande testemunho sendo o esteio da amizade das três que sempre foram mais unidas que irmãs. Foi assistindo as técnicas do surf e meu relacionamento com os alunos e depois vendo a transformação de Carla que Alessandra se encantou com Este Deus maravilhoso e abriu a porta para Ele. Um dia nos casávamos e nossa família cresceu e se multiplicou numa grande família de Deus, na igreja, na academia com as vidas que ganhamos. VIDAS SEPARADAS pra Deus, vidas alcançadas pelo amor de Cristo.
- Amor. – Alessandra me chamou
- Oi, querida. – ela chegou mansamente e encostou perto de mim.
- Tava escrevendo no blog?
- É, li os comentários das pessoas que leram a primeira parte e tô tentando fazer a segunda. Não sei se sou tão bom de escrever quanto vocês.
- O lance é escrever com o coração, amor, de uma maneira simples. O blog tocou muitas pessoas. As narrativas fizeram gente chorar.
- É... Até eu me emociono quando releio como se fosse a primeira vez.
- Eu passei por momentos tristes, mas serviram pra crescer. Eu era uma menina assim, meio mimada, meus pais se pararam e eu era ainda muito nova, Brenda e Carla no mesmo dia sabendo que iam se separar de mim. Foi uma tripla separação, mas tudo valeu como experiência, no fim, nos ficamos mais unidas. Tudo tem seu saldo positivo.
- A vida é isso mesmo amor, mas com Jesus, tudo é lucro. A gente pensa que tá perdendo mas ganha muito mais com Ele.
- Pois é. Que história que eu, Brenda e Carla teríamos pra contar se aquela manhã de praia se encerrasse como tantas outras?
- Que história eu teria pra contar se não tivesse havido um reencontro entre a gente?
- Foram necessários muitos desencontros nas nossas vidas pra que um dia houvesse o reencontro que fez delas uma só vida.
- É mesmo, amor.
- Eu já tenho um texto pra escrever no blog.
- Então, manda! Vou voltar lá pra fora, a galera tá nos últimos treinos.

sábado, 10 de julho de 2010

NOTA:

Devido ao interesse de alguns leitores, a estória VIDAS SEPARADAS terá uma continuação que ainda está sendo escrita, porém não de uma maneira convencional, prosseguindo exatamente do fim e sim um texto com vários personagens desta 1ª parte, obviamente com destaque para Brenda, Carla e Alessandra. Cada capítulo tem um narrador diferente, ou seja, cada personagem contando o seu testemunho. É o meu presentepara todos os que acompanharam como seguidores e deixaram e ainda deixam seus comentários. Você que está lendo ou que ainda não leu ou só postou no início ou só no fim, por favor, leia e poste nos outros capítulos para que o escritor possa ter uma melhor apreciação de seu texto. Obrigado a todos e aguardem.

domingo, 29 de novembro de 2009

CAPÍTULO XXXV

SE AQUEÇAM COM O MEU CORAÇÃO – BRENDA
Ai...41 anos. Como o tempo passou rápido. Dia 14 de setembro de 2009. O dia tá meio nublado e eu aqui terminando de escrever neste blog. Carla, eu e Alessandra, VIDAS SEPARADAS pelas circunstâncias, mas nunca separadas da amizade e muito mais separadas para o SENHOR. Vencemos as lutas. Alguém pode achar que eu não tenha tido tantas, mas as lutas de Alessandra e Carla sempre foram minhas lutas. Depois de alguns anos como coordenadora numa escola, abri a minha, CORAÇÃO DE DEUS em Madureira onde atualmente moro e estou no computador do meu escritório escrevendo. Recebo meus “adocelentes” – falo assim, pois não vou amaldiçoar ninguém e chamar de aborrecentes, que horror! - no gabinete pra ouvir suas alegrias e tristezas. Algumas queixas: “Pô tia Brenda, meu pai ou minha mãe, não se ligam! Não me entendem!” Eu digo: “Meu querido, minha querida, Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; (Efésios 6 : 2). Quando ficam ansiosos, lembro que tudo tem seu tempo, leia Eclesiastes.” Disciplino com muito amor e programo passeios pra aprenderem com a bela natureza que o Pai criou e nos deu pra cuidar e comparo o cuidado dela, com o meu com eles, que são minhas flores que rego.
Eu e Márcio, meu marido, somos pastores. Temos um casal de filhos: Daniel de 16 anos e Débora de 14.
Daqui a pouco vou almoçar com Alessandra e Carla.Alessandra divide-se entre Copa e Floripa onde ajuda Allan a treinar a galera na academia de surf e Carla mora no Centro. Tiramos um tempo pra nós. Comemoramos mais de uma vez nossos aniversários no ano passado, fizemos uma festa especial juntas. 40 anos, idade marcante. Dizem que a vida começa nesta fase, mas tô sempre recomeçando e minhas amigas também.
O Gabriel, filho da Carla tá um gatão de 16 anos e a Cristina, da Alessandra vai fazer em 15 dias, 15 primaveras.
Natalinha filha do Allan, casou no início deste ano. Ela já rodou o mundo participando de missões, trabalhou e morou na Itália e fez cursos na Irlanda do Norte.
Marion, filha mais velha do Marcos tem um filho de 13 anos, Tiago e uma filha de 10, Joana; Marcele filha do meio, casou-se há 8 anos e teve dois filhos: Vitor que tá com 6 anos e Isabel, com 4. Marquinho, o filho caçula é recém casado.
Como é lindo ver a família de Deus crescer!
Bem, vou terminar, talvez depois escreva mais algo. Fiquei de encontrá-las no Centro às 12:30. Uma chuva se anuncia, mas isso não atrapalha. Chuva de bençãos como tantas que recebemos e depois das tempestades vieram as bonanças.
Abraços, risos e lágrimas de emoção. São sempre assim nossos encontros. Minhas gataças de 41 anos, enxutas, lindas!
- Menina, já não podia mais de saudades! – Alessandra quase me sufocou me abraçando.
- Isso é que é morrer de saudade! Quase me mata também! – eu brinquei também apertando a loiraça enxuta
- Brenda, minha amiga, minha irmã, minha querida, minha fonte de luz, minha mãezinha que cuidou de mim quando eu tanto precisei! – Carla também se abraçou comigo
- “Amigas eu nunca vou desistir de vocês e pelas suas vidas vou interceder, mesmo que eu esteja longe, meu amor vai encontrar vocês por que vocês são impossíveis de esquecer”! – cantei pra elas
- Ai, querida! Brigada! Também amo esta música! – Carla agradeceu abraçando-me
- E eu também! – Alessandra disse - Amor da minha vida! – e me abraçou também.
- Ela é minha também! E você também! – Carla abraçou-me também, abraçando Alessandra
Abraçamo-nos todas as três. Pessoas que passavam achavam-nos três malucas. Três grandes loucas por Jesus e do amor ágape.
Mais um almoço, inesquecível.
- Ai, gente, quantas voltas a vida dá, né? – Alessandra comentou
- Gente, eu tava até a pouco tempo escrevendo meu blog, narrando tantas coisas das nossas vidas. – eu comentei
- Eu também. No dia em que nossas vidas foram separadas – Alessandra lembrou.
- Nossas vidas podem ter sido separadas, mas nunca nos desgrudamos. – eu acrescentei
- Somos gêmeas xipófagas de coração. – Carla brincou - Eu também registrei esses momentos no meu blog.
- Nossas vidas foram separadas pra Deus. – eu frisei
- Taí. VIDAS SEPARADAS, bom nome prum texto. – Alessandra opinou
- Como você sabe? – perguntei espantada
- Por quê? – Alessandra devolveu a pergunta
- Foi título que eu coloquei quando tava escrevendo do dia 08 de agosto até hoje.
- Eu também pensei num título assim sobre nós. – Carla falou
- Confirmação do Espírito Santo. – eu constatei
- Quantas coisas nós passamos. Encontros, desencontros e reencontros. – Alessandra lembrou dando um suspiro.
- É.. mas estamos sempre juntas. – Carla olhou pra nós com emoção derramando uma lágrima.
Unimos as mãos e cada uma beijou a da outra.

Leva o meu coração contigo,
Guarda o meu coração amigo
E nos dias de inverno e solidão se aqueça com o meu coração.


FIM

sábado, 28 de novembro de 2009

CAPÍTULO XXXIV

UM DIA LOUCAMENTE ESPECIAL – CARLA
10 de outubro de 1992. Um dia loucamente especial. Por quê? Ninguém poderia imaginar que aconteceria, “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes” (I Coríntios 1 : 27) Eu e o Marcos nos casávamos naquele dia. Louco né? Mas a gente foi tão louco um dia, tão inconseqüente, tão egoísta, enfim, tão tudo o que desagradava a Deus, que Ele mudou tudo na gente: um dia nós estávamos loucos por Ele. Claro que não foi fácil, houve todo um processo de mais de um ano pra que os filhos do Marcos não me vissem mais como a outra do pai que veio tomar o lugar da mãe deles. Os três já estavam na igreja desde o tempo que a Helena era viva. Marion, a mais velha, já tava com 18 anos e teve algumas reservas tanto quanto a Marcele, que já tinha 15.
Uma das minhas estratégias de aproximação foi nos 15 anos da Marcele. Achei que não devia participar da festa, pois pensei que seria pra família, mas fui lá antes e deixei meu presente. Falei com ela, pedi que me perdoasse, que só ficaria com o pai deles se fosse realmente da vontade de Deus. Ela até se sensibilizou e perguntou se eu não queria ficar, mas eu agradeci e expliquei que fui lá só por que queria o perdão dela e que com o tempo poderia ser que seus irmãos também me aceitassem. Marquinho estava com 10 anos e sentia muita falta da mãe, foi muito traumatizante pra ele. Era natural que a Marion se sentisse como uma segunda mãe sendo a mais velha e poderia ver seu posto ameaçado, mas disse à ela o mesmo que disse à sua irmã. Entreguei tudo a Deus e esperei n’Ele.
Enfim, casamos, vencendo as dificuldades, orando, jejuando, conversando muito com o pastor.
No dia do meu casamento joguei o buquê. Quem pegou foi Marion, que casou dois anos depois.
Mas voltando ao meu casamento, foi um dia loucamente e especialmente feliz. Alessandra e Brenda tavam lá na maior emoção. Brenda tava grávida de três meses do primeiro filho, Daniel.
Em 12 de agosto de 1993, nasceu meu filho, Gabriel. Lindo! Com meus olhos, minha tonalidade de pele meio amorenada, mas com os cabelos castanhos escuros uma mistura dos meus cabelos negros com os cabelos claros do pai.
Marcos passou a produzir shows pra artistas evangélicos o que mais tarde originou uma empresa, um grupo que mantem até hoje uma rádio gospel, editora de livros e uma gravadora. Eu passei a ensaiar a galera adolescente da igreja pra coreografias de louvor e a Marcele também participou, formando novos grupos.
Alessandra teve também uma filhinha que nasceu no dia 29 de setembro de 1994: Cristina, lourinha de olhos azuis e linda como a mãe.
Nós tivemos nossas vidas separadas pelas circunstâncias, pela distância, mas só fisicamente, pois nossos corações foram juntos um com o da outra. Sei que eu dei trabalho às minhas amigas, mas elas nunca encararam assim. Sempre fui considerada uma parte delas assim como sempre as senti partes de mim. Chorei com elas, sorri com elas, me emocionei com elas, ri com elas. Sempre com elas.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

CAPÍTULO XXXIII

AMOR EM FLORIPA E EM OUTRAS ROTAS – ALESSANDRA
Reencontrei Allan nova criatura. Passei a ser uma nova criatura também e com Allan, descobri o verdadeiro amor em Floripa. Conheci a academia do surf e me encantei. Passei a ser a treinadora dos grupos. Uma experiência fascinante, uma galera irada, mesmo sendo um grupo variado de cabeças pensando diferente em relação às normas da academia, mas tinham uma coisa em comum: não aprender só as tarefas, mas na prática o que era uma vida com Deus. Mesmo que chegassem rapazinhos ou garotas entre seus 17 e 18 anos que ainda não houvessem aceitado Jesus, só de ver o procedimento dos colegas, começavam a se encantar com aquele Deus e os treinos, o companheirismo, a amizade, as trocas de idéias sobre as resoluções de problemas, a disciplina que Allan exigia, a liderança sempre com muito amor a vivência da palavra de Deus e a confiança que ele passava ao grupo eram os ingredientes perfeitos para originar a fórmula infalível de conversão. Lá mesmo na igreja de Floripa deu-se a nossa união, no dia 28 de março de 1992. Eu nem poderia imaginar que 6 anos depois do desencontro que houve entre a gente nos casaríamos, mas Deus transforma tudo, como está escrito: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (II Coríntios 5 : 17)
Outra vez houve aquela tradicional brincadeira de jogar o buquê. Outra vez Carla pegou. Ela continuava pedindo direção a Deus e esta era uma forma de resposta. Claro que também através de muita oração e jejuns. Passamos 15 dias em lua de mel no Havaí. Interessante é que quem estava lá também em lua de mel, era Adriana , a mesma com quem desfiz relações por causa de Allan. Ela já havia vivido com um cara e não tinha dado certo. Depois se casou na igreja e com festa bancada pelos pais. Aproveitei pra falar de Jesus com ela. Senti que ela ouviu por educação. Não tivemos mais muito contato, só sei que se formou também em Educação Física, continua hoje com o mesmo marido e tem duas filhas.
Brenda já era professora. Dava aula para turma da 1ª série do seguimento naquela época ainda chamado de 1º grau. Continuava trabalhando na loja, pois o salário de professora não dava. Depois de quase 10 anos juntando dinheiro ela poderia montar seu próprio colégio. Márcio, seu marido a ajudou a montar e administrar o colégio. Já era diácono na igreja e criou um grupo de teatro que se expandiu, ganhando muitas vidas pra Jesus.
Eu e Allan passamos a participar de campeonatos patrocinados pela igreja em parceria com empresas de surf e fazíamos missões por onde íamos, ganhando vidas pra Jesus. Beto também participou de algumas missões que a gente foi com outros irmãos da igreja. “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me.” (Mateus 16 : 24)